Há evidências que por muito que desejemos a sua inexistência, elas quase que nos sacodem, somos obrigados a senti-las, a viver com elas.
Quando me candidatei para fazer o meu último ano de faculdade na Holanda, pensei que iria ser sem dúvida um marco histórico para mim.
Algo que por muito pachorrenta e desinteressante que fosse a minha vida estaria sempre na memória, afinal de contas serão uns bons meses de experiências inéditas e mais um sonho cumprido.
(Agora que escrevo esta frase, lembro-me de alguém que como dizia a música "não se cansava de dizer" que eu era carneiro, e que os carneiros têm muitos projectos mas nunca cumprem nenhum. Eu vou viver para fora algo que sempre desejei, vamos ver se abres o teu cabeleireiro,por 2 razões espero que sim).
Mas voltando ao assunto do post, eu pensei nas vantagens, mas claro como um tuga pensei também nas desvantagens. Primeiro a distância e o tempo em que deixo os que amo, os amigos e os lugares.
O 2º pensamento foi, neste ano em que "vou daqui pra minha terra ", é o último ano de estudante pelo menos com esta turma. Uma turma com a qual passei mais tempo, desde que iniciei a minha vida de estudante (há 19 anos que ando nisto). Pensei... Pensei... Pensei... e houve até momentos em que pensei que estaria a precipitar-me, pensei que oportunidades de viver no estrangeiro serão mais que muitas, mas as de viver um último ano com os meus colegas só haverá uma.
Bom se há algo que nos faz bem, é quando gostamos tanto de uma coisa ao ponto de não vermos que esta não é de facto o mar-de-rosas que imaginamos. É como a namoradinha da escola preparatória (nunca tive), que amamos e amamos até que ela dá um beijo no rapaz mais popular da turma (eu era o mais reguila, elas só gostavam de se rir comigo, os beijos ficavam pros outros- ainda hoje é assim, já estou habituado).
Quando eu questionava se teria feito a boa escolha começo a ter mais atenção a tudo o que me rodeia na minha turma, e posso dizê-lo sabendo que algumas pessoas lêem este blog, mas também nunca foi minha intenção ser politicamente correcto, nem tudo é bom, aliás cada dia que passa está pior.
Também é verdade que nós estamos em época de exames e entregas de trabalhos, mas não deveria ser nas piores alturas que o espirito se deveria fortalecer?
Pois é, nós somos uma turma muita divertida, damo-nos todos muito bem, mas eu não vejo isso. Aliás eu vejo bem o contrário.
Alguns vão achar caustico isto que escrevo, mas que se lixe.
Um dia houve, em que me levantei numa aula para pedir uma abertura de espirito, separar os grupos de trabalho para evitar conflitos entre colegas. Estávamos numa situação algo estupida, no 2º ano a competição entre colegas era pouco positiva, o objectivo não era ser o melhor, mas apenas e só evitar que os outros fossem melhores. Falo pelo que via não só nos outros grupos mas no meu também. Penso que nessa altura terei pedido algo que muito iria melhorar o entendimento entre todos, à excepção das minhas colegas de grupo que logo choraram e desesperaram todos os outros experimentaram trabalhar juntos (para mim foi bastante positivo, a todos os níveis). Mas hoje sei que foi tarde demais e que foi muito curto.
Eu acho natural que as pessoas se juntem em grupos, com os que melhor se identificam , com os que se divertem mais, até acho muito bem. O que me parece um pouco retrógado, ou mesmo anormaloide , é fechar-mo-nos nesses grupos. Quando por achar-mos que estamos em perigo, ou que podemos mudar um pouco por influência de terceiros, rejeitamos alguém que olha para nós como mais um dos SEUS.
A rejeição de abortos como a Gorda ou a Velha podem alguns pensar não é muito diferente,mas foda-se esses nunca nos viram como um dos SEUS (espero eu).
A menos de 15 dias de acabar as aulas, observei aquilo a que se pode chamar a preparação para não deixar saudades. Como é possivel, passar-se por colegas com quem partilhamos 4 anos de vida, e nem sequer um proferir um "olá"? Passar e sentar-se num lugar distante, onde possamos estar de costas voltadas, onde nem te vejo nem te ouço. É possível porque isso acontece. É muito giro rir quando gritamos "princesa", é muito giro dizer que eu abuso.
Mas digo-vos é muito mais giro quando eu posso abusar convosco, quando me posso rir convosco. Não é a mesquinhice que perdura no tempo, é a confiança, a cumplicidade, a amizade.
Quando vejo que no último jantar de turma estão mais pessoas, que nunca se sentaram na mesma sala de aula que eu do que os que se sentaram, por um lado vejo que fiz óptimos amigos (só são bons os que conhecem ainda mais do que nós, e têm tão boas ou melhores amizades do que as nossas), mas por outro lado vejo que há muitos na minha turma que provavelmente foram apenas da minha sala de aula.
São os que perferem ter como ultimas memórias uma pálida imagem de verdadeira amizade.
Pois é, eu tenho verdadeiras amizades na minha turma, será que essas pessoas têm? Será que se algum dia estiverem durante muito tempo longe dos seus amigos, no momento do reencontro será como se nunca se tivessem separado?
Apetecia-me ser mais pessoal, poder dirigir a critica directa às pessoas que hoje critico, aos tios africanos, e aos que chamaram parvo ao tio africano por rejeitar a amizade desinteressada que lhe foi sempre oferecida. Apetecia-me, mas eles nem merecem que assim o faça.
Apenas fica um grande abraço para todos os que sem merdas, sem mesquinhices se abrem o suficiente para aproveitar as diferenças entre nós, para aproveitar os momentos únicos que podemos passar, para os que um dia ao deitar-se pelo menos uma lágrima de saudade vão deixar fugir. A esses nada lhes invejo mas com esses muito partilho, não só os momentos únicos mas os momentos de saudade, e se há dor que sabe bem é esta que apenas em português se escreve de uma só vez.
P.S. Jolie e Crazy Woman eu adoro-vos, não vos dedico este post porque estou a fazê-lo sem as positive vibes que vocês me transmitem, hei-de escrever um para vos mostrar o que sinto quando estou na vossa presença.
E Foda-se pros que acham que em tudo tem que haver a água e o azeite.
3 comentários:
nem sempre é questão de agua e azeite, e é pena que o entendas como tal, não se trata de excluir ninguém e alias, detesto que me encarem como se nao fosse capaz de viver sem o meu grupo.
esses comentários irritam-me profundamente, faço o que quero e o gosto, independentemente dessas pessoas que eu adoro!
por isso espero que não me incluas naqueles "que provavelmente foram apenas da minha sala de aula."porque sinceramente não ia gostar, pk a ti nunca te vi como tal, ao contrario de algumas pessoas dakela turma!
espqero que agora que isto está a terminar, não sejas mais um a desiludir-me!
Felizmente e por vezes infelizmente sempre escrevi o que me vai na alma.
Se alguém se sente atingido pelas minhas palavras, só pode ter duas razões, ou porque se revê na critica ou tem uma auto-estima baixa e então pode assumir como seu o papel que aqui atribuo e talvez o faça injustamente pra si próprio(a) (cabe-te a tii ver qual dos dois podes ser-não sei quem escreveu).
De qualquer forma a critica não se prende só com o jantar, esse episódio apenas foi o culminar de uma série de atitudes que fui observando, mas mais uma vez posso dizer que não me envergonho ou arrependo do que escrevi. Sempre fui recto na minha forma de estar com os outros e nunca escondi o que sinto, mesmo que isso me traga problemas. É com tristeza que escrevo o que escrevi, mas podes ter a certeza que nunca contribuí para que as coisas se tornassem assim. Não fui eu que arranjei mil e um esquemas pra que alguns não quisessem ir, nem prendi ninguém ao sofá da sala, ou fiz cara feia quando passaram por mim para me cumprimentar na escola, tenho a minha opinião, mantenho-a e quem não gosta tem que aguentar. Eu também fico sentido com muita coisa que os outros se orgulham de fazer neste caso eu nem sequer me orgulho de ter que escrever isto, mas é o meu blog é aqui que eu desabafo.
Uma vez um amigo disse-me "Aqui sou feliz".
Creio que devemos deixar de lado os maus momentos porque fazem parte da vida e como tu próprio disseste "nem tudo é um mar de rosas".
Pessoas como a Gorda e a Velha serão parte do nosso imaginário mais remoto dentro de pouco tempo, contudo, sei que de ti, como de outras pessoas que me são queridas nunca me esquecerei!
És talvez a pessoa mais emblemática da turma, mas não é de certeza por isso que gosto mais ou menos de ti!
Lembro-me do primeiro ano em que eras um anti-social com o cabelo todo à frente da "tromba" e nem por isso gostei menos de ti. Aliás, lembro-me de comentar com a Crazy Woman "Vais ver que ainda vai ser uma surpresa".
Pelos vistos foi a melhor surpresa que a turma nos revelou, e sinto-me "damn proud" por ter alguém como tu ao meu lado para o que der e vier!
Sei que vais estar sempre ai para aqueles de quem gostas e quero que saibas que tu não és só mais um que se sentou na minha sala de aula, mas sim aquele que se sentou ao meu lado no último ano por vontade própria e que me fez durante estes quatro anos ver as coisas de maneira diferente em muitas ocasiões.
Quero agradecer-te por tudo o que fizeste por mim e desejar-te toda a sorte na Holanda! Sei que te vais dar bem...
Se o mundo tivesse recheado de pessoas como tu, ninguém fazia do povo o que queria e os seus direitos seriam ouvidos com toda a certeza.
Uma coisa te prometo, quando te voltar a ver, depois desta tua ausência prolongada, tudo vai estar na mesma entre nós, porque a verdadeira amizade nunca se desvanece:
"True friends never leave each other...true friends never part. They just sometimes seat silently...deep within each others heart saying...I'm still here!"
"Time - don't let it sleep away, raise yo'drinkin'glass - here's to yesterday. In time - we're all gonna trip away - don't piss heaven off, we've got hell to pay..." (Aerosmith - Full Circle)
ADORO-TE MUITO e sei que é reciproco.
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