quarta-feira, outubro 19, 2005
Hoje pensei...
Eu adoro futebol, mas raramente falo de futebol no meu blog.
Pensei, pensei, pensei e de repente veio a ideia genial que alteraria tudo isto.
Não só vou falar de futebol no meu blog como vou manter uma distância assinalável da vulgaridade a que me poderia sujeitar ao debater tal tema.
Também pra quê falar de futebol à séria, depois do fim-de-semana passado?
Este rapaz teve esta tirada brutal quando foi substituido a meio de um jogo de futebol

Marcinho Caganeira
Clickem aqui para o ouvir
Pensei, pensei, pensei e de repente veio a ideia genial que alteraria tudo isto.
Não só vou falar de futebol no meu blog como vou manter uma distância assinalável da vulgaridade a que me poderia sujeitar ao debater tal tema.
Também pra quê falar de futebol à séria, depois do fim-de-semana passado?
Este rapaz teve esta tirada brutal quando foi substituido a meio de um jogo de futebol

Marcinho Caganeira
Clickem aqui para o ouvir
quarta-feira, outubro 12, 2005
I need your lovin' like the sunshine...
Lembro-me de andar no 7º ou 8º ano da escola e de na altura uma pessoa que estimava muito ter falecido.
Durante um teste de Inglês, decidi então na parte da composição escrever algo que pudesse ajudar-me a expressar a mágoa pela primeira perda real da minha vida. Escrevi sobre ela, sobre o carinho que lhe tinha mesmo sem existir qualquer relação familiar entre nós, e no fim dediquei-lhe um refrão que ouvia muito na rádio- "And I miss you
Like the deserts miss the rain ".
A professora na altura, nem me recordo do seu nome, era ultra fã dos Everything but a girl, e deu-me uma grande nota na composição, por além de ter citado uma das suas músicas favoritas, ter percebido que aquele texto estava repleto de emoção e dor.
Pode parecer estranho, mas à data terá sido talvez a única demonstração na escola perante um professor do que realmente sentia. Desde que havia mudado para a Escola de Carcavelos que tinha apanhado bons e maus professores, mas senti que nunca me entenderam, e eu também nunca fiz um esforço para tal.
Depois foram os meus avós, primeiro a avó Clarisse, depois o meu avô Esmeraldo e por último a minha avó Julia. Sinto a falta deles todos, relembro-me de momentos marcantes que passei com eles. Recordo-me do ultimo sorriso que vi do meu avô como se fosse ontem, à porta de casa dele, com lágrimas nos olhos e um sorriso do tamanho do mundo na cara. Duvido que em toda a minha vida vá encontrar um outro homem que tenha a bondade, a simplicidade e a honestidade do meu avô. Lembro-me de numa das muitas felizes férias que passámos na sua casa em Tomar (simplesmente perfeito, os cinco primos juntos, com um enorme espaço rural para brincar e gastar energias de uma infância que por 15 dias era inesquecivel).
Quando tinha uns 4 ou 5 anos disse ao meu avô que determinado táxi que aparecia numa telenovela da noite na televisão dele tinha outra côr, diferente do táxi que aparecia na minha.
Nas férias seguintes o meu avô juntou algumas poupanças e comprou uma televisão Grundig a cores. Assim que cheguei a sua casa mostrou-me cheio de orgulho e felicidade a nova televisão, onde eu poderia ver de novo as mesmas cores que via quando estava em casa dos meus pais.
Lembro-me de o ver limpar o tanque para nós podermos ir pra lá chapinhar e nadar, tudo à mão, mesmo sabendo que sofria terrivelmente das costas. Lembro-me como se sentia feliz quando o rodeavamos para ouvir as histórias dos Lobisomens e das Bruxas, lembro-me de nos levar ao Leite, para ouvirmos os disparates e a vulgaridade da linguagem do pastor, e como se ria ao ver-nos espantados a ouvir aquelas asneiradas todas vindas da boca de um adulto. Íamos à fonte buscar a água, e quem se comportasse bem, poderia ir na parte de trás da carrinha, onde os bonés eram levados pelo vento que a velocidade da carrinha provocava.
O meu avô ligava a sua serra electrica, em tardes de calor de Agosto, só para cortar os pequenos ramos de oliveira que apanhávamos no meio da lenha, e transformá-los em potentes armas mortiferas do imaginário infantil, e lá iamos nós brincar aos gangsters e policias, aos índios e aos cowboys.
O meu avô plantou uma oliveira no meu 7º aniversário, foi a única prenda da minha infância que jamais me esqueci. Quando me mostrou um pintaínho sem uma pata e cego de um olho, pedi-lhe que mo desse, e assim fez. O pintaínho transformou-se em galinha, deu muitos ovos e nunca, nunca foi morto pra churrasco ou vendido para quem estivesse interessado, por pura e simplesmente ser meu. Creio que ele nunca iria suportar ver a minha desilusão se um dia lhe perguntasse pela minha galinha coxa e vesga, e ele tivesse que responder que a tinha morto ou vendido. A galinha acabou por morrer de velhinha.
Por amar tanto a minha infância em Valdonas, e por amar tanto os meus avós tenho medo de um dia lá voltar. Agora que a casa que nos acolheu foi abaixo, que o tanque deu lugar a uma piscina, a capoeira desapareceu , a datsum azul está velha e na casa do meu tio, e principalmente o amor dos meus avós se resguardou para eternidade no meu coração, tenho medo de encontrar um local totalmente diferente, sem eiras, sem espaço para o jogo da malha atrás da garagem, sem o batatal, sem os preciosismos com que o meu avô arrumava as suas ferramentas, e organizava tudo de uma forma tão própria de quem só tem um fundo puro doce e cheio de amor por todos, até os que lhe faziam mal.
Infelizmente ao meu avô nunca pude dizer adeus, e o quanto o amava antes de ele se ir embora para perto do seu protector em quem depositava tanta fé e esperança, mas hoje deixo aqui o primeiro verdadeiro recado para alguém, e é para ti avô . Se algum dia nos voltarmos a ver vou dar-te o maior abraço que alguma vez dei, e vou agradecer-te por todo o carinho e amor incondicional que me deste a mim e ao meu irmão e aos meus primos. Vou querer saber tudo o que ficou para contar sobre ti, sobre a tua vida, o que te fazia feliz, vou querer ouvir as histórias das bruxas e dos lobisomens, vou querer voltar a andar na parte de trás da tua carrinha Datsum, vou querer ir à água, ao leite e até à missa, porque só agora vejo que a maior riqueza da minha vida és tu e os que como tu sempre me amaram, espero que onde estejas estejas bem, e que sintas orgulho na pessoa que sou hoje. Amo-te muito avô.
Durante um teste de Inglês, decidi então na parte da composição escrever algo que pudesse ajudar-me a expressar a mágoa pela primeira perda real da minha vida. Escrevi sobre ela, sobre o carinho que lhe tinha mesmo sem existir qualquer relação familiar entre nós, e no fim dediquei-lhe um refrão que ouvia muito na rádio- "And I miss you
Like the deserts miss the rain ".
A professora na altura, nem me recordo do seu nome, era ultra fã dos Everything but a girl, e deu-me uma grande nota na composição, por além de ter citado uma das suas músicas favoritas, ter percebido que aquele texto estava repleto de emoção e dor.
Pode parecer estranho, mas à data terá sido talvez a única demonstração na escola perante um professor do que realmente sentia. Desde que havia mudado para a Escola de Carcavelos que tinha apanhado bons e maus professores, mas senti que nunca me entenderam, e eu também nunca fiz um esforço para tal.
Depois foram os meus avós, primeiro a avó Clarisse, depois o meu avô Esmeraldo e por último a minha avó Julia. Sinto a falta deles todos, relembro-me de momentos marcantes que passei com eles. Recordo-me do ultimo sorriso que vi do meu avô como se fosse ontem, à porta de casa dele, com lágrimas nos olhos e um sorriso do tamanho do mundo na cara. Duvido que em toda a minha vida vá encontrar um outro homem que tenha a bondade, a simplicidade e a honestidade do meu avô. Lembro-me de numa das muitas felizes férias que passámos na sua casa em Tomar (simplesmente perfeito, os cinco primos juntos, com um enorme espaço rural para brincar e gastar energias de uma infância que por 15 dias era inesquecivel).
Quando tinha uns 4 ou 5 anos disse ao meu avô que determinado táxi que aparecia numa telenovela da noite na televisão dele tinha outra côr, diferente do táxi que aparecia na minha.
Nas férias seguintes o meu avô juntou algumas poupanças e comprou uma televisão Grundig a cores. Assim que cheguei a sua casa mostrou-me cheio de orgulho e felicidade a nova televisão, onde eu poderia ver de novo as mesmas cores que via quando estava em casa dos meus pais.
Lembro-me de o ver limpar o tanque para nós podermos ir pra lá chapinhar e nadar, tudo à mão, mesmo sabendo que sofria terrivelmente das costas. Lembro-me como se sentia feliz quando o rodeavamos para ouvir as histórias dos Lobisomens e das Bruxas, lembro-me de nos levar ao Leite, para ouvirmos os disparates e a vulgaridade da linguagem do pastor, e como se ria ao ver-nos espantados a ouvir aquelas asneiradas todas vindas da boca de um adulto. Íamos à fonte buscar a água, e quem se comportasse bem, poderia ir na parte de trás da carrinha, onde os bonés eram levados pelo vento que a velocidade da carrinha provocava.
O meu avô ligava a sua serra electrica, em tardes de calor de Agosto, só para cortar os pequenos ramos de oliveira que apanhávamos no meio da lenha, e transformá-los em potentes armas mortiferas do imaginário infantil, e lá iamos nós brincar aos gangsters e policias, aos índios e aos cowboys.
O meu avô plantou uma oliveira no meu 7º aniversário, foi a única prenda da minha infância que jamais me esqueci. Quando me mostrou um pintaínho sem uma pata e cego de um olho, pedi-lhe que mo desse, e assim fez. O pintaínho transformou-se em galinha, deu muitos ovos e nunca, nunca foi morto pra churrasco ou vendido para quem estivesse interessado, por pura e simplesmente ser meu. Creio que ele nunca iria suportar ver a minha desilusão se um dia lhe perguntasse pela minha galinha coxa e vesga, e ele tivesse que responder que a tinha morto ou vendido. A galinha acabou por morrer de velhinha.
Por amar tanto a minha infância em Valdonas, e por amar tanto os meus avós tenho medo de um dia lá voltar. Agora que a casa que nos acolheu foi abaixo, que o tanque deu lugar a uma piscina, a capoeira desapareceu , a datsum azul está velha e na casa do meu tio, e principalmente o amor dos meus avós se resguardou para eternidade no meu coração, tenho medo de encontrar um local totalmente diferente, sem eiras, sem espaço para o jogo da malha atrás da garagem, sem o batatal, sem os preciosismos com que o meu avô arrumava as suas ferramentas, e organizava tudo de uma forma tão própria de quem só tem um fundo puro doce e cheio de amor por todos, até os que lhe faziam mal.
Infelizmente ao meu avô nunca pude dizer adeus, e o quanto o amava antes de ele se ir embora para perto do seu protector em quem depositava tanta fé e esperança, mas hoje deixo aqui o primeiro verdadeiro recado para alguém, e é para ti avô . Se algum dia nos voltarmos a ver vou dar-te o maior abraço que alguma vez dei, e vou agradecer-te por todo o carinho e amor incondicional que me deste a mim e ao meu irmão e aos meus primos. Vou querer saber tudo o que ficou para contar sobre ti, sobre a tua vida, o que te fazia feliz, vou querer ouvir as histórias das bruxas e dos lobisomens, vou querer voltar a andar na parte de trás da tua carrinha Datsum, vou querer ir à água, ao leite e até à missa, porque só agora vejo que a maior riqueza da minha vida és tu e os que como tu sempre me amaram, espero que onde estejas estejas bem, e que sintas orgulho na pessoa que sou hoje. Amo-te muito avô.
terça-feira, outubro 11, 2005
Comboios sem bilhete...
Vim deixar a minha Pukaninaa Bruxelas. Hoje ela volta para Lisboa.
Voltei à vida solitária, mas encontro algum conforto quando sei que ela vai voltar para perto da familía e dos amigos. Sinto que estes dias serviram não só para trocarmos o amor que sentimos um pelo o outro (e isso já é tão bom), mas vejo-os agora - com um distanciamento temporal pouco significativo - como duas mãos que se estendem até Portugal. Uma delas é para a familia que irá concerteza viver mais perto as minhas experiências com o relato de quem realmente as acompanhou por duas semanas. A minha Pukanina leva o meu sorriso para o meu sobrinho lindo, carinho para a minha mamã, e muitas saudades de todos os meus familiares que me apoiam e realmente me amam. Claro que a Leo leva também um abraço quente (aqui faz sol, em Lisboa chove) com muita nostalgia para todos os amigos com quem o Saci se diverte, e com quem posso falar abertamente sobre tudo.
Abandono agora o aeroporto a caminho da estação Noord-Brussels, olho a paisagem e penso que um quadro destes 5 mins de paisagem, poderia ser pintado unicamente em tons de castanho e ferrugem.
Apesar da peculiar paisagem, neste momento nem tenho a força de vontade de tirar a máquina da mochila e fotografar algo para mais tarde colocar aqui.
Agora simplesmente fico aqui só e isolado, num comboio belga sem bilhete, com destino incerto, atolado de belgas, espanhois (estes estão por todo lado , eh eh eh). A vida do Saci nem sempre é boa, e as despedidas doem muito, mas apenas quando sentimos a despedida de uma forma tão profunda é que nos apercebemos da real importância e do quão especial esta pessoa é para nós.
É uma viagem de regresso à Holanda, rude, dura mas algo poética.
Assim se vivem aventuras, se experimentam sentimentos ambíguos, enfim assim se cresce , longe das preferências de sempre.
Voltei à vida solitária, mas encontro algum conforto quando sei que ela vai voltar para perto da familía e dos amigos. Sinto que estes dias serviram não só para trocarmos o amor que sentimos um pelo o outro (e isso já é tão bom), mas vejo-os agora - com um distanciamento temporal pouco significativo - como duas mãos que se estendem até Portugal. Uma delas é para a familia que irá concerteza viver mais perto as minhas experiências com o relato de quem realmente as acompanhou por duas semanas. A minha Pukanina leva o meu sorriso para o meu sobrinho lindo, carinho para a minha mamã, e muitas saudades de todos os meus familiares que me apoiam e realmente me amam. Claro que a Leo leva também um abraço quente (aqui faz sol, em Lisboa chove) com muita nostalgia para todos os amigos com quem o Saci se diverte, e com quem posso falar abertamente sobre tudo.
Abandono agora o aeroporto a caminho da estação Noord-Brussels, olho a paisagem e penso que um quadro destes 5 mins de paisagem, poderia ser pintado unicamente em tons de castanho e ferrugem.
Apesar da peculiar paisagem, neste momento nem tenho a força de vontade de tirar a máquina da mochila e fotografar algo para mais tarde colocar aqui.
Agora simplesmente fico aqui só e isolado, num comboio belga sem bilhete, com destino incerto, atolado de belgas, espanhois (estes estão por todo lado , eh eh eh). A vida do Saci nem sempre é boa, e as despedidas doem muito, mas apenas quando sentimos a despedida de uma forma tão profunda é que nos apercebemos da real importância e do quão especial esta pessoa é para nós.
É uma viagem de regresso à Holanda, rude, dura mas algo poética.
Assim se vivem aventuras, se experimentam sentimentos ambíguos, enfim assim se cresce , longe das preferências de sempre.
Adaptações
Desde que estou na Holanda tenho vivido muitas coisas boas, mas também algumas coisas menos positivas, elas aparecem naturalmente e de uma forma ou de outra devo adaptar-me a elas.
Há no entanto uma que não me apetece mesmo nada adaptar-me, até porque me parece cada vez mais ridicula.
Eu vivo na Holanda, e aqui sou um estrangeiro e claro que sou tratado como tal, mas da mesma forma que eu tento respeitar as diferenças entre mim e os outros, espero o mesmo esforço dos outros.
Neste caso o facto de eu ficar por vezes algo chocado com a forma de actuar de algumas pessoas aqui sempre foi absorvida pela minha tolerância perante a diferença que existe entre a minha cultura e a deles. O problema reside quando ao invés de estar a falar dos holandeses, os verdadeiros nacionais cá do sítio, o problema mesmo reside na forma de estar dos alemães.
Quando sinto que respeito as suas diferenças (a sua pretensa frieza), a falta de ligações profundas (quando lhes interessa), até a sua falta de educação, mas que não fazem o minímo esforço para respeitar até os piores momentos, que eu possa estar a passar aqui (a despedida da Pukanina), então estou a proceder mal comigo e com eles.
Se ao contrário do meu amigo catalão eu não me sinto minimamente inferior a qualquer outra nacionalidade que por aqui haja, e muito menos os alemães, então decidi adoptar um comportamento tipicamente desinibido e português.
Não se trata de afrontar ninguém, apenas de criar o meu próprio espaço, que quem quiser terá que respeitar, e quem não quiser pode muito bem simplesmente sair. Creio que no mês e pouco que cá estou dei o tempo suficiente para me conhecer e para conhecer os outros, e se de facto algumas das pessoas que conheci são realmente interessantes e muito abertas, conheci também gente que merece pouco mais do que um olá e um adeus.
Era assim que lidava com as pessoas em Portugal, e não me preocupa perder "amigos", preocupa-me perder amigos. Se as pessoas não gostam das minhas atitudes têm sempre uma opcção e não vou objectar nada relativamente a tal escolha, mas da mesma forma quero ter a liberdade de não ter que me sacrificar e dar a cara para mais uma bofetada.
Não sinto que tenha sido lesado ou mesmo magoado por ninguém aqui, simplesmente acho que quando as pessoas partem de um pressuposto que são superiores ou que a sua forma de vida se superioriza à minha, apenas e só pela nacionalidade que tenho, então alguém está errado e desta vez tenho 100% de certeza que não sou eu.
O meu país está num estado miserável, mas continuo a acreditar nos nossos melhores valores.
Em nota final e porque muitas vezes fui acusado de dar recados pelo meu blog, e neste momento inclusivé desconheço o número de pessoas que o lêem, aqui está mais uma prova do que sempre disse. Este espaço é o meu espaço de desabafo e abertura, não para dar recados, senão teria que ser escrito em inglês ou alemão. Felizmente a maioria das pessoas que me acusou de tal simplesmente esbarrou na indiferença que a sua opinião deveria ter na certeza de que quando escrevo aqui, é para mim e pode ser partilhado com quem sentir a necessidade de ler estes posts (eu não os leio, apenas os escrevo).
Mas não quero com isto dizer que dispenso os visitantes do meu blog, tenho inclusivé pena que muitas vezes o comentem pessoalmente ao invés de escreverem aqui os seus comentários, mas prometo-vos uma surpresa em Janeiro.
Há no entanto uma que não me apetece mesmo nada adaptar-me, até porque me parece cada vez mais ridicula.
Eu vivo na Holanda, e aqui sou um estrangeiro e claro que sou tratado como tal, mas da mesma forma que eu tento respeitar as diferenças entre mim e os outros, espero o mesmo esforço dos outros.
Neste caso o facto de eu ficar por vezes algo chocado com a forma de actuar de algumas pessoas aqui sempre foi absorvida pela minha tolerância perante a diferença que existe entre a minha cultura e a deles. O problema reside quando ao invés de estar a falar dos holandeses, os verdadeiros nacionais cá do sítio, o problema mesmo reside na forma de estar dos alemães.
Quando sinto que respeito as suas diferenças (a sua pretensa frieza), a falta de ligações profundas (quando lhes interessa), até a sua falta de educação, mas que não fazem o minímo esforço para respeitar até os piores momentos, que eu possa estar a passar aqui (a despedida da Pukanina), então estou a proceder mal comigo e com eles.
Se ao contrário do meu amigo catalão eu não me sinto minimamente inferior a qualquer outra nacionalidade que por aqui haja, e muito menos os alemães, então decidi adoptar um comportamento tipicamente desinibido e português.
Não se trata de afrontar ninguém, apenas de criar o meu próprio espaço, que quem quiser terá que respeitar, e quem não quiser pode muito bem simplesmente sair. Creio que no mês e pouco que cá estou dei o tempo suficiente para me conhecer e para conhecer os outros, e se de facto algumas das pessoas que conheci são realmente interessantes e muito abertas, conheci também gente que merece pouco mais do que um olá e um adeus.
Era assim que lidava com as pessoas em Portugal, e não me preocupa perder "amigos", preocupa-me perder amigos. Se as pessoas não gostam das minhas atitudes têm sempre uma opcção e não vou objectar nada relativamente a tal escolha, mas da mesma forma quero ter a liberdade de não ter que me sacrificar e dar a cara para mais uma bofetada.
Não sinto que tenha sido lesado ou mesmo magoado por ninguém aqui, simplesmente acho que quando as pessoas partem de um pressuposto que são superiores ou que a sua forma de vida se superioriza à minha, apenas e só pela nacionalidade que tenho, então alguém está errado e desta vez tenho 100% de certeza que não sou eu.
O meu país está num estado miserável, mas continuo a acreditar nos nossos melhores valores.
Em nota final e porque muitas vezes fui acusado de dar recados pelo meu blog, e neste momento inclusivé desconheço o número de pessoas que o lêem, aqui está mais uma prova do que sempre disse. Este espaço é o meu espaço de desabafo e abertura, não para dar recados, senão teria que ser escrito em inglês ou alemão. Felizmente a maioria das pessoas que me acusou de tal simplesmente esbarrou na indiferença que a sua opinião deveria ter na certeza de que quando escrevo aqui, é para mim e pode ser partilhado com quem sentir a necessidade de ler estes posts (eu não os leio, apenas os escrevo).
Mas não quero com isto dizer que dispenso os visitantes do meu blog, tenho inclusivé pena que muitas vezes o comentem pessoalmente ao invés de escreverem aqui os seus comentários, mas prometo-vos uma surpresa em Janeiro.
segunda-feira, outubro 03, 2005
Love me two times, I'm goin'away

Estou na Mediterranee em Breda, um pequeno café com um chá maravilhoso (marroquino). Sentado com a “coxinha” a partilhar leituras, música e claro uma mesa...
Adoro este lugar de cadeiras e mesas de madeira escura. Este é o cantinho mais mediterrânico de Breda, o lugar onde a distância do ambiente familiar fica mais curtinha.
Aqui sinto-me bem e sempre que volto à Mediterranee tenho no pensamento cada um dos que gosto e de como seria bom mostrar-lhes este cantinho que sinto tão meu. Cada um deles iria apreciar todo este cenário de uma forma diferente. Imagino que uns gostariam mais da música, outros do chá, outros do local em si, e a talvez a maioria pelos extras da casa.
Eu gosto dele num todo, e estou a adorar estar aqui com a minha "coxinha".
Ontem encontrámos neste café solarengo, mesmo em dias de frio e chuva, um grupo de amigos espanhóis. O ambiente estava como um caramelo, suave, docinho e grudando-nos a todos. Soube-nos tão bem que por aqui ficámos às conversas mais de um par de horas, em 3 dialectos diferentes, uma mistura latina e anglo-saxónica.
Adoro escrever aqui sentado, descansando e de bem com a vida com a coxinha a tirar-me fotos de sorrisos que vão rebentando com as coisas simples que por aqui se vêem. Escrevo e ouço músicas dos Doors. Músicas que me ajudam a percorrer um imaginário de um livro Com aroma de Goiaba. Ela toca-me como que me empurrando pelas costas, enquanto que o meu caminho é delineado por carris da leitura, levando até à próxima estação.
A Estação que nos espera lá fora, a caminho de casa quando anoitecer, vai ser sem dúvida o Inverno. No caminho umas comprinhas para o jantar, e assim se continua a viver em Breda, longe de tudo e bem perto de mim próprio...
Blog a inevitável liberdade de escrever...
Escrever um blog pode por vezes ser o único escape que temos para expressar os desagrados da nossa vida, para desabafar sentimentos e estados de espírito.
Pode ser apenas por diversão ou ter objectivos de efectivar a fama que sempre se desejou, mas existem outros propósitos importantes e fundamentais para a liberdade de informação muitas vezes rejeitada a povos por todo o mundo, até nós portugueses.
Já me vi confrontado com situações um pouco desagradáveis, por expor a minha opinião, inclusive neste blog que uma vez mais tive que reafirmar ser um espaço pessoal, que optei por colocar online.
O meu blog é o meu espaço que optei por partilhar online com quem quiser ler. Não espero que as pessoas gostem do que escrevo, nem que me venham pedir explicações do que escrevo aqui, eu apenas sinto um prazer em escrever o meu próprio blog, sobre a minha vida e os meus pensamentos, quem sabe provavelmente perdurará mais tempo do que eu. É como um livro que infelizmente não consigo escrever.
Mas os blogs podem assumir papeis fundamentais em países cujo a liberdade ainda é mais curta do que na nossa realidade lusitana. E aí podem inclusive ser os únicos veículos de informação não manipulada pela censura que podemos encontrar. Após a Yahoo! ter ajudado o governo chinês a capturar e posteriormente torturar e julgar dissidentes do regime que escreviam em blogs nos seus domínios, a Repórteres sem fronteiras, sita no www.rsf.org decidiu publicar online um guia para bloggers que sofram deste mal, que é a falta de liberdade de expressão.
Aqui fica o url para quem quiser ler, eu já li um pouco e parece-me interessante até para quem não tem que fugir por expressar a sua opinião.
http://www.rsf.org/IMG/pdf/handbook_bloggers_cyberdissidents-GB.pdf
Pode ser apenas por diversão ou ter objectivos de efectivar a fama que sempre se desejou, mas existem outros propósitos importantes e fundamentais para a liberdade de informação muitas vezes rejeitada a povos por todo o mundo, até nós portugueses.
Já me vi confrontado com situações um pouco desagradáveis, por expor a minha opinião, inclusive neste blog que uma vez mais tive que reafirmar ser um espaço pessoal, que optei por colocar online.
O meu blog é o meu espaço que optei por partilhar online com quem quiser ler. Não espero que as pessoas gostem do que escrevo, nem que me venham pedir explicações do que escrevo aqui, eu apenas sinto um prazer em escrever o meu próprio blog, sobre a minha vida e os meus pensamentos, quem sabe provavelmente perdurará mais tempo do que eu. É como um livro que infelizmente não consigo escrever.
Mas os blogs podem assumir papeis fundamentais em países cujo a liberdade ainda é mais curta do que na nossa realidade lusitana. E aí podem inclusive ser os únicos veículos de informação não manipulada pela censura que podemos encontrar. Após a Yahoo! ter ajudado o governo chinês a capturar e posteriormente torturar e julgar dissidentes do regime que escreviam em blogs nos seus domínios, a Repórteres sem fronteiras, sita no www.rsf.org decidiu publicar online um guia para bloggers que sofram deste mal, que é a falta de liberdade de expressão.
Aqui fica o url para quem quiser ler, eu já li um pouco e parece-me interessante até para quem não tem que fugir por expressar a sua opinião.
http://www.rsf.org/IMG/pdf/handbook_bloggers_cyberdissidents-GB.pdf
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