Dei por mim esta semana a pensar no quão diferente estaria quando voltasse a Portugal. Quando a nossa evolução é feita dia-a-dia num processo normal, acabamos por esbater as diferenças existentes no inicio e no fim.
Pensei várias horas e cheguei a muito poucas conclusões. Tenho mais certezas relativamente a algumas atitudes que tomei para o meu bem, e sinto que devo continuar a guiar-me pelo caminho menos fácil mas que me faz mais feliz.
Quando decidi vir para Erasmus sabia bem que iria passar coisas boas, outras menos boas. Sabia que ia passar momentos inesqueciveis como tenho passado. E se esquecer os mais tristes é fácil, saber que muitos destes momentos e destas pessoas vão apenas pertencer a este curto espaço de tempo, é dificil de enfrentar.
Sinto saudades da familia, namorada, amigos de Portugal, mas a eles espero voltar em breve. A minha casa já não será a mesma, a minha vida não será só Carcavelos, Lisboa, Portugal, será também uma vida espalhada pelos cantos do mundo onde estiverem os amigos que fiz, faço e farei aqui.
Nunca estarei como estou aqui, em casa sentirei falta disto como sinto falta de casa quando estou em Breda. Parece triste pensar assim, mas depressa perdi essa triste mania de chorar coisas que nunca perderei. Se o tempo passa e uns vão para casa, outros para fora, nenhum deles me abandonará porque todos os que são especiais ficam aqui no meu pensamento.
O meu amigo Gerard viaja desde os seus 13 anos, abandonou muitos amigos, passou por muitas coisas que eu com 25 agora experimento, e ele não é menos feliz do que eu. A vida é isto mesmo, um monte de experiências e devemos aproveita-las o melhor que podemos. Quando penso que só vivo uma vez, dá-me vontade de continuar este caminho de aventura e descoberta, de me apaixonar pelos sitios, pelas pessoas e sentir falta deles quando descubro outras aventuras noutros locais com outras pessoas.
"It is one of the most beautiful compensations of this life that no man can sincerely try to help another without helping himself."