Acordei hoje ao som do piano. O piano que mora aqui no prédio toca muito bem, e acordou-me suavemente enchendo o meu ouvido.
Pensei que sonhava com Charlie Chaplin, acordei com uma brecha de luz no meu quarto. Olhei para o portátil pensando que me havia esquecido dele ligado e este piano de melodia matinal, era a música do genérico de "Lucia y el sexo".
Nada disso o portátil está off, e a música mora mesmo aqui juntinho ao meu número 22.
Que bom, espreguiço-me rebolo nesta cama pequena mas catita. Com a mão esquerda abro metade dos cortinados, o tempo está cinzento e se já não chove parece que já choveu.
Continua a melodia... É a música de Charlie Chaplin. Sento-me na cama e procuro os chinelos. É hoje que arrumo definitivamente o meu quarto. Este inicio de dia promete. Pensei que seria mais um dia após a insónia de ontem e nem o facto de ter dormido apenas 3 horas me faz sentir mal. O piano continua a encher a minha manhã.
Quem será que toca tão bem? Depois de uma viagem ate à casa-de-banho e uma experiência colgate, aquele vislumbrar da imagem barbuda no espelho e o lábio rebentado por uma crise de fígado espelham bem a vida menos Erasmica que levo ultimamente.
Mas o piano não pára, vai tocando tão bem... Quem me dera acordar assim mais vezes. Não todos os dias, apenas aqueles que tal como hoje deveriam começar com um piano a tocar só para nós. Um dia especial como os dias que aqui passo sem o meu Tatu, sem a minha mãe e todos os que me são preciosos.
Cada nota é como um dia que aqui passo, vou sentir falta de Breda. Vou sentir falta de mim em Breda. Que manhã tão doce esta. Até o Saci está de volta.
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