sexta-feira, maio 18, 2007

Escrever cartas

Hoje em conversa com um amigo, aprendi uma coisa.

Como isto é um blog, pois tenho que vos contar.

Falavamos sobre os beneficios e maleficios da internet, para nós em particular, e para a nossa sociedade em geral.

Enquanto discutíamos o tema, ele quis dar-me um exemplo de como a internet é negativa para cada um de nós, e para todos nós ao mesmo tempo.

O Messenger é uma coisa que ele não entende. Aí todos estão online, a partir das cinco da tarde e prolongando-se por horas.
Estamos todos online. Escrevemos coisas como "Então porco?" "És um chupa-pilas", ou "Que fazes?". E escrevemos mal, com abreviaturas como o "cm é q andas?", ou estrangeirismos pobres como o "lol".

Depois para ele a essa hora as pessoas deveriam estar nas ruas, nos jardins, na praia, a passear,nos cafés a beber cervejas e a disfrutar da companhia dos que mais gostas perto de ti. É como se desejássemos estar com todos, mas na realidade estamos sós.

Eu questionei-lhe com o meu exemplo, é através do messenger que falo com os meus pais, e com os meus amigos. Ele replicou que compreendia isso e o aceitava, e perguntou-me: " Há quanto tempo, não te sentas e escreves uma carta à mão, dizendo o que sentes a alguém especial para ti?"

De principío esta pergunta pareceu-me simples, e uma mera curiosidade. Mas enquanto eu esperava, ele descreveu-me como escrevía aos seus filhos que estudam no estrangeiro, e como se sente quando recebe uma carta dos seus filhos.

Escrever para ele é um acto de solidão, uma solidão sentida. "É importante escrever". Uma pessoa quando escreve pára com os seus pensamentos. Páras e estás focado no sentir, no expressar e libertar o que está preso na tua solidão, nos teus afectos.

Quando simbolizamos o sentimento, o pensamento, a emoção damos-lhe a expressão fisíca, entramos num mundo diferente, que é nosso e agora também é de todos.

Pensei de imediato neste espaço, o meu blog. Aqui páro uns dias leio, muitos outros páro e escrevo. Já cheguei ao ponto de sentir necessidade de ler antigos posts.

Depois pensei, hoje tenho que escrever a alguém, uma carta fisíca. Parar para sentir, parar para me expressar, libertar-me com a solidão, escrever como há muito que não escrevi.

Voltar a sentir o que senti quando escrevi pela ultima vez, mais ou menos há 10 anos atrás, uma carta de amor, uma das 200 que devo ter escrito à Paula. Hoje quero sentir esse prazer de voltar a sentir na solidão, de expressar-me livremente sózinho para outra pessoa.

Vou escrever...

Se quiserem posso escrever-vos um dia!!! Já pedirei as moradas, a de hoje não é para vocês seguramente.

1 comentário:

Aelius disse...

Uma carta com a tua letra medonha???
Yachhhh ;)
Queres saber uma coisa, nunca escrevi uma carta. É verdade.
Se sinto falta? Bom, será que se pode sentir falta de algo que nunca se fez?
Por acaso nem é sim nem não, simplesmente quero escrever uma no futuro, nem que seja para saber que o fiz.