quarta-feira, fevereiro 28, 2007

É já amanhã

Vou ver Yann Tiersen ao vivo.

Sexta comboio para Málaga, o festival de cinema começa dia 9 mas a minha vida já deixou de existir desde a semana passada.

Aqui a coisa também doi

Em Valencia estamos em pleno inicio de fallas (festas aqui da aldeia).

Tudo seria muito bonito, com milhares de luzes pela cidade, uma enorme parafernália de bonecos gigantes feitos em papel, milhares de petardos, fogo de artificio todos os dias, uma festa ininterrupta com mais de 1000 casales com o seu disco-movil, a cidade pára e rejubila com tanta riqueza cultural.

Pena que por debaixo da ponte de Ademuz em pleno centro de Valencia durmam mais de 400 búlgaros, africanos, emigrantes ilegais que aí prenoitam e pelo dia colhem as laranjas mais conhecidas do mundo. Para est milhares pas pessoas, os milhares de petardos, as luzes, os fogos de artifico, os disco-movil, etc, etc pouco lhes importa, mas talvez umas casas-de-banho, umas camas e um tecto estaríam de "PUTA MADRE".

Um grupo de moradores junta-se todas as 4ªs feiras para lhes trazer um pouco mais de conforto, vêm trazem comida, atenções que não existem, e montam uma tela de cinema.
Um pequeno gesto para que aqueles que não o podem viver pelo menos saibam que existe a palavra sonho...

Portugal tão longe

Porugal é um país bonito, mas cada vez mais estou consciente que ainda que geográficamente esteja ligado à europa, a mentalidade portuguesa está cada vez mais longe.

O português não tem causas, não se move, não pensa e não discute. O português aceita o que lhe dão, inveja o que não tem, e luta contra o seu semelhante para que este não pise os calos a quem mantém a todos como submissos.

Se ainda me alegrei com a chapadona de luva branca que uma maioria deu neste ultimo referendo aos movimentos hipocritas, continuo a sentir que somos uma sociedade pequena e mesquinha.

Agarrados a uma segurança que não existe, a uma crença que não ajuda, o português compra casa, e carro e não quer chatices. Não viaja, não vê o mundo, não sofre os males de esses tipos que para viver arriscam a morte num barco pelo mediterraneo, não veêm o racismo, não veêm a miséria, não se assustam com as "leis de mercado" que deixam familias na miséria, em Portugal o que é bom é ser-se executivo.

Lembro-me que quando aí estava e falava com os executivos, eu era o comuna ( e eu que de comuna não tenho nada, simplesmente porque estudo história), de executivo tão pouco tenho muito. O que creio ter e que vejo faltar a muita gente é visão periférica para ver o que está ao meu lado.

Existe miséria, existe racismo, xenofobia, existem causas, existem coisas belas e feias, existe o sol e a chuva. Aprecio tudo e disfruto do que é bom, e luto pelo que está mal se acabe.

Não nos cabe julgar quem se sente descontente, cabe-nos penso eu, tentar entende-los.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

3 filmes 3 noites

Aqui vão 3 filmes que me parecem imperdiveis:

Kamtchaka:

Um filme Argentino, que explora de uma forma soberba e muito doce a história da ditadura argentina.

Saber contar uma história tão desumana e cruel, com tanta doçura e realismo é digno de uma deslocação ao Oásis (creio que aí há uma cópia).
Do mesmo realizador também podem espreitar "El método" mas esta sem dúvida é a sua obra de excelência.

"Nos primeiros dias da ditadura na Argentina, uma familia tem de fugir para uma casa de campo. Harry o mais velho de dois irmãos, vê como a sua vida muda, submetida a novas regras"




A segunda é também um excelente filme, que está agora nos cinemas, mas também disponivel através de uns downloads aí pela net, chama-se "Paris Je t'aime".
Um filme contado por diferentes realizadores, não me enganei quando escrevo contado, e muito bem contado.

Uma história dde amor por cada bairro de Paris, um filme que submerge-se num tema de máxima importância, a imigração na Europa.

O Cartaz do filme pelo menos aqui em Espanha é super bonito, vou tentar gamar um aqui para minha casa.



Por ultimo um documentário extraordinariamente chocante. A ligação entre a politíca norte-americana e o fanatismo religioso, neste caso envagelistas. "Jesus Camp" é um documentário aterrador para quem crê que a liberdade de expressão, de crença, e principlamente de quem acredita que a religião é o ópio do povo, neste caso a brutalidade com que se faz uma criança "renascer para Jesus" é aterradora.

Programa Cultural

O Filipe disse e com razao que este blog estava muito politizado.

Pois aqui segue a minha programaçao cultural para esta semana:


Quinta: Concerto de Yann Tiersen aqui em Valencia ( à pala )!!!!!

Sexta : Dubclub ( um barzito que fui a semana passada e está de PUTA MADRE!!!!)

E bom, nao tarda nada e voo para Málaga para a minha primeira mega produçao aqui na empresa, o festival de cinema de Málaga, a meu cargo está a ZonaZine, que entre outras coisas, terá um aviao com umas projecçoes, tendas com Djs, uma tenda Wii, uma esplanada Chill Out IKEA, e tudo com patrociníos, é só money. Pena que para mim nao caia nada mais que o meu salário, uma Wii e um Mini Cooper enquanto aí andar perdido.

Adeu

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Não é de excluir quando falamos de Portugal

"Não é de excluir que muitos apoiantes do 'não', atendendo às suas inclinações religiosas, esperem ainda por um milgare. Se não houver milagres, aí estará mais um motivo de reflexão"

Rui Tavares, PÚBLICO, 12-02-2007

domingo, fevereiro 11, 2007

Apetece-me sentar e pensar...

Clear your mind

Era tão mais fácil se tudo fosse como nos filmes...


sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Confirma-se

Sou responsável de produção da ZonaZine do Festival de Cine de Malaga.

Para os que fatalistas portugueses que choram não ter oportunidades, e que os espanhois controlam tudo em Portugal, fica aqui a boa nova, não só não controlam como nos dão oportunidades incriveis de nos realizarmos.

Para semana estou em Portugal, na zona de Braga para uma parceria com uma empresa tuga, algo que também estou a desenvolver na empresa para a qual trabalho.

Quem quiser dar um saltinho até ao site da ZonaZine aqui fica:

http://www.festivaldemalaga.com/prensa.html?marca=193




sábado, fevereiro 03, 2007

O dever


Será exigível à mulher o cumprimento do dever de levar a sua gravidez até ao fim, até ao nascimento do bébé.
A mulher como qualquer ser humano, tem simplesmente o dever de ser feliz e respeitar os valores da vida, e isso significa querer ser mãe, não ser mãe porque calhou.

Mas isso não chegou...

Mas isso de ir ver e não dizer nada não sou eu, como alguns que me conhecem já o sabem, tenho sempre que dizer algo.

E disse, mas a resposta até hoje foi... nada.

Coloco aqui um texto do Assimnao.org e depois o meu e-mail, quem quiser ler, bom vou fazer um chá e já voltamos pra conversar.

TEXTO DO ASSIM NÃO:

Ao fim de tanto tempo, o que ainda impressiona neste debate sobre o aborto é a quantidade de argumentos que se esgrimem e a falta de clareza da discussão. E, no entanto, o que está em causa é bastante simples. E o que não está, também.

Não está em discussão a prisão de mulheres que abortaram, porque não há, nem houve mães presas. Não está em discussão acabar com o aborto clandestino, porque onde se liberalizou o aborto, continuou a haver quem aborte clandestinamente. Não está em discussão o aborto em caso de violação da mãe, de malformação do feto ou de perigo de vida da mãe. Tudo isso já foi discutido e a Lei aceita essas excepções que a maioria das pessoas diz compreender.

Sobra uma única coisa que está de facto em discussão: às dez semanas há ou não uma Vida? Há. É um facto, não é uma opinião. Há uma Vida com dez semanas – que faz caretas, tem dentes de leite, impressões digitais e um coração a bater - a que só falta nascer e crescer. A pergunta que agora se faz é escolher se a deixamos nascer, ou se deixamos que a Lei diga que pode ser abortada, se a mãe quiser. Seja por que razão for.

Ora, ou é uma vida ou não é. Se é – e é – só podemos defender que viva. Não é possível, nem lógico, nem “moderado” dizer que é mais ou menos uma vida, que a mulher é que sabe se é vida ou não ou que só é vida se eu acreditar que sim. As coisas não são assim, às vezes as coisas são irremediavelmente mais simples.

Eu sei que há uma vida antes das dez semanas. Há quem não saiba, há quem desconfie e há quem tenha as suas dúvidas. Mas não há quem negue. Ora, na dúvida, só existem dois caminhos: não fazer nada ou tentar descobrir. Para tentar defender com lógica e razoabilidade o Sim é preciso dizer que isso de ser uma Vida não interessa, que não é isso que interessa. Está mais alguma coisa em discussão? Não.

Inês Teotónio Pereira 26 de Janeiro de 2007

Aqui vai o E-mail que lhe enviei, mas ainda não recebi qualquer resposta:

No texto : "É simples" da autoria de Inês Teotónio Pereira, há uma informação que gostaria de ver esclarecida.

Quando afirma que "Não está em discussão acabar com o aborto clandestino, porque onde se liberalizou o aborto, continuou a haver quem aborte clandestinamente".
Gostaría que me fornecesse dados estatisticos crediveis que possam suportar tal afirmação, de verdade que os pretendo ver, porque esta é a principal razão pela qual quero votar Sim no referendo.

Antes mesmo faz outra afirmação que gostaria também de lhe questionar: "Não está em discussão a prisão de mulheres que abortaram, porque não há, nem houve mães presas."

Em primeiro lugar:
Pensa que para uma mulher que fez um aborto ilegal, ir a tribunal e ser exposta à opinião pública é menos violento que ir presa.

Em segundo lugar:
Uma mulher que aborta continua a ser mãe?

Outra questão que lhe coloco é a seguinte, se nem a comunidade cientifíca reúne consenso quanto ao inicio de vida de um feto, como pode a Inês estar tão segura de um período a partir do qual esta se inicia?

Para terminar, eu não sou partidário de nada, tenho consciência civíca e também sou jovem como os demais. Vivo num país onde o aborto é legal e feito em condições de higiene sanitária, as mulheres são tratadas com respeito e afecto, e os abortos feitos por pessoal especializado, aqui não conheci nenhuma jovem da minha idade que já tenha abortado, o uso do preservativo está mais difundido que no nosso país. Em Portugal onde vivi até aos meus 25 anos, conheci uma mãe de dois filhos que morreu após realizar um aborto ilegal, conheci 3 raparigas da minha idade que o fizeram também, duas em espanha e outra numa clinica ilegal em plena Lisboa.

Inês quantos filhos mais vão ter que deixar de viver com as suas mães? Se não existem números reais sobre o flagelo do aborto, como poderemos pedir aos nossos governantes que actuem na área de prevenção?

Se mantivermos tudo como está garantes-me que irá diminuir o número de abortos? A esta respondo-te eu - Não, nem tu nem ninguém porque ninguém sabe o número real de abortos clandestinos, ninguém ajuda psicologicamente uma mulher que se sujeita a um, ninguém aconselha uma mulher que se dispõe a fazê-lo e ninguém quer ver o que está diante dos nossos olhos.
Por quase toda a Europa as populações já nem debatem este tema, hoje fala-se da adopção de crianças por casais homossexuais, e nós infelizmente em Portugal não só economicamente estamos 20 anos atrasados, ao que parece muitos querem manter-nos sociologicamente e principalmente ao nível dos cuidados de saúde e da protecção social dos mais desfavorecidos muito longe do que é o resto da Europa.

P.S. Fui estudante na Holanda, e trabalho numa das empresa espanhola em Valência, em ambos os países não conheci ninguém que tivesse passado por uma clinica de abortos, legal ou ilegal, em ambos os países o aborto está legalizado. Sou contra o aborto e sempre o serei, mas não posso ser hipócrita e permitir que os dramas familiares que existem no nosso país persistam. Um país europeu que pretende evidenciar-se e desenvolver a sua imagem e dinamica a nível global não pode virar as costas a algo tão importante como este problema e deixar tudo como está. Comecemos por aqui.

Assim foda-se é fácil...

Estava eu navegando pela net, quando dei pelo video dos Gato Fedorento a satirizar Marcelo Rebelo de Sousa e o seu movimento "Assim Não".

Decidi visualizar o orginal e inclusive fui ao site do movimento.

Li a primeira opinião e de imediato me pareceu que o referendo é uma estupidez, e que não faz qualquer sentido referendar sobre algo tão complexo.

Na realidade esta parece-me mais ser uma luta politica de pessoas que pretendem elevar-se como importantes na nossa sociedade, e de grupos civico-partidários que pretendem demonstrar que são poderosos e influenciam a opinião da sociedade civil.

Nunca nutri qualquer simpatia por Marcelo, assim como não nutro simpatia pela lei actual, mas aceito que existam pessoas com opiniões diferentes, o que não posso aceitar é que a queiram impor a todos.

Eu voto sim, mas sou opositor da prática abortiva.