Sexta comboio para Málaga, o festival de cinema começa dia 9 mas a minha vida já deixou de existir desde a semana passada.


A mulher como qualquer ser humano, tem simplesmente o dever de ser feliz e respeitar os valores da vida, e isso significa querer ser mãe, não ser mãe porque calhou.
Será exigível à mulher o cumprimento do dever de levar a sua gravidez até ao fim, até ao nascimento do bébé.
Aqui vai o E-mail que lhe enviei, mas ainda não recebi qualquer resposta:
No texto : "É simples" da autoria de Inês Teotónio Pereira, há uma informação que gostaria de ver esclarecida.
Quando afirma que "Não está em discussão acabar com o aborto clandestino, porque onde se liberalizou o aborto, continuou a haver quem aborte clandestinamente".
Gostaría que me fornecesse dados estatisticos crediveis que possam suportar tal afirmação, de verdade que os pretendo ver, porque esta é a principal razão pela qual quero votar Sim no referendo.
Antes mesmo faz outra afirmação que gostaria também de lhe questionar: "Não está em discussão a prisão de mulheres que abortaram, porque não há, nem houve mães presas."
Em primeiro lugar:
Pensa que para uma mulher que fez um aborto ilegal, ir a tribunal e ser exposta à opinião pública é menos violento que ir presa.
Em segundo lugar:
Uma mulher que aborta continua a ser mãe?
Outra questão que lhe coloco é a seguinte, se nem a comunidade cientifíca reúne consenso quanto ao inicio de vida de um feto, como pode a Inês estar tão segura de um período a partir do qual esta se inicia?
Para terminar, eu não sou partidário de nada, tenho consciência civíca e também sou jovem como os demais. Vivo num país onde o aborto é legal e feito em condições de higiene sanitária, as mulheres são tratadas com respeito e afecto, e os abortos feitos por pessoal especializado, aqui não conheci nenhuma jovem da minha idade que já tenha abortado, o uso do preservativo está mais difundido que no nosso país. Em Portugal onde vivi até aos meus 25 anos, conheci uma mãe de dois filhos que morreu após realizar um aborto ilegal, conheci 3 raparigas da minha idade que o fizeram também, duas em espanha e outra numa clinica ilegal em plena Lisboa.
Inês quantos filhos mais vão ter que deixar de viver com as suas mães? Se não existem números reais sobre o flagelo do aborto, como poderemos pedir aos nossos governantes que actuem na área de prevenção?
Se mantivermos tudo como está garantes-me que irá diminuir o número de abortos? A esta respondo-te eu - Não, nem tu nem ninguém porque ninguém sabe o número real de abortos clandestinos, ninguém ajuda psicologicamente uma mulher que se sujeita a um, ninguém aconselha uma mulher que se dispõe a fazê-lo e ninguém quer ver o que está diante dos nossos olhos.
Por quase toda a Europa as populações já nem debatem este tema, hoje fala-se da adopção de crianças por casais homossexuais, e nós infelizmente em Portugal não só economicamente estamos 20 anos atrasados, ao que parece muitos querem manter-nos sociologicamente e principalmente ao nível dos cuidados de saúde e da protecção social dos mais desfavorecidos muito longe do que é o resto da Europa.
P.S. Fui estudante na Holanda, e trabalho numa das empresa espanhola em Valência, em ambos os países não conheci ninguém que tivesse passado por uma clinica de abortos, legal ou ilegal, em ambos os países o aborto está legalizado. Sou contra o aborto e sempre o serei, mas não posso ser hipócrita e permitir que os dramas familiares que existem no nosso país persistam. Um país europeu que pretende evidenciar-se e desenvolver a sua imagem e dinamica a nível global não pode virar as costas a algo tão importante como este problema e deixar tudo como está. Comecemos por aqui.