Para insultar pessoas, satisfazer a minha necessidade de usar humor negro, ser irónico, ser mauzinho. Enfim chamam-lhe uma rede social, para mim é um escape.
sábado, agosto 22, 2009
sexta-feira, agosto 21, 2009
Saí até ao supermercado
Tinha fome e não tinha nada em casa. Decidi e após uma larga ponderação sair de casa em direcção ao supermercado.
Nem tomei um banho nem nada, barba enorme (é assim que se leva hoje, dizem), tudo muito selvagem.
Cruzei a avenida, como se faz largo o tempo de espera ao sol, aquele pedaço de tempo entre que o boneco vermelho se apaga e dá lugar a um luzente boneco verde.
Caminhei um pouco pelo passeio do lado esquerdo, é o caminho mais longo, mas o caminho à sombra, e aqui acreditem tudo pode ser distinto consoante o lado do passeio que escolhemos.
Já caminhando na rua do supermercado, e passando ao lado de uma paragem de autocarros, uma voz meio rouca, meio destroçada pelo mau trato da vida chamou-me "Guapo" e em seguida perguntou " por que me dejas aquí sola?".
Poderia aqui afirmar que não é nada usual em mim dar conversa a estranhos e menos a estranhos que não estão no domínio pleno da sua sanidade mental ou da nossa, depende da perspectiva. Mas é. E sim parei.
O elogio é o enaltecimento de uma qualidade ou virtude de algo ou de alguém, e se este era para mim, deveria aceita-lo e pelo menos esperar por mais. Aí dei-lhe conversa.
Apresentei-me como outrora um outro louco feliz se apresentara a mim. "Sou filho de António e Maria". Nada como deixar um estranho sentir-se normal entre nós. Parou dois segundos depois de tal afirmação, respondeu com uma só palavra "Júlia".
"Olha que coincidência a minha Maria também é filha da Júlia" respondi-lhe.
Ela voltou a elogiar a minha beleza, e eu todo contente. Era a 3ª pessoa com quem falava hoje, e já 2 elogios e que elogios. Depois perguntei-lhe porque levava a cara tão pintada. "Porque é verão, e estas são as minhas cores de verão".
-"Onde vais?"
-"À praia, e tu?"
-"Ao supermercado, tenho fome."
Entretanto chega o autocarro e antes de entrar a Júlia grita "Dile a Maria y António que su hijo es muy guapo, pero está un poco loco".
De repente dei meia volta e vim p'ra casa, já não tinha fome, mas estava todo contente. Só depois do Adeus entendi o que se tinha passado, um verdadeiro momento de loucura.
Nem tomei um banho nem nada, barba enorme (é assim que se leva hoje, dizem), tudo muito selvagem.
Cruzei a avenida, como se faz largo o tempo de espera ao sol, aquele pedaço de tempo entre que o boneco vermelho se apaga e dá lugar a um luzente boneco verde.
Caminhei um pouco pelo passeio do lado esquerdo, é o caminho mais longo, mas o caminho à sombra, e aqui acreditem tudo pode ser distinto consoante o lado do passeio que escolhemos.
Já caminhando na rua do supermercado, e passando ao lado de uma paragem de autocarros, uma voz meio rouca, meio destroçada pelo mau trato da vida chamou-me "Guapo" e em seguida perguntou " por que me dejas aquí sola?".
Poderia aqui afirmar que não é nada usual em mim dar conversa a estranhos e menos a estranhos que não estão no domínio pleno da sua sanidade mental ou da nossa, depende da perspectiva. Mas é. E sim parei.
O elogio é o enaltecimento de uma qualidade ou virtude de algo ou de alguém, e se este era para mim, deveria aceita-lo e pelo menos esperar por mais. Aí dei-lhe conversa.
Apresentei-me como outrora um outro louco feliz se apresentara a mim. "Sou filho de António e Maria". Nada como deixar um estranho sentir-se normal entre nós. Parou dois segundos depois de tal afirmação, respondeu com uma só palavra "Júlia".
"Olha que coincidência a minha Maria também é filha da Júlia" respondi-lhe.
Ela voltou a elogiar a minha beleza, e eu todo contente. Era a 3ª pessoa com quem falava hoje, e já 2 elogios e que elogios. Depois perguntei-lhe porque levava a cara tão pintada. "Porque é verão, e estas são as minhas cores de verão".
-"Onde vais?"
-"À praia, e tu?"
-"Ao supermercado, tenho fome."
Entretanto chega o autocarro e antes de entrar a Júlia grita "Dile a Maria y António que su hijo es muy guapo, pero está un poco loco".
De repente dei meia volta e vim p'ra casa, já não tinha fome, mas estava todo contente. Só depois do Adeus entendi o que se tinha passado, um verdadeiro momento de loucura.
Até onde vai o amor próprio?
Eu diria que está entre o Monasticismo e um grupo de patologias a que indiscriminadamente chamamos Esquizofrenia.
O meu amor próprio não sei por onde anda, mas está mais perto de considerar-se o centro de toda a existência humana, que fechado num edifício de pedra sem actividade sexual com terceiros.
Por agora não ouço vozes que aparentemente só me falam a mim, mas o facto de sentir um certo receio dessa eventualidade, pode exemplificar o quão ténue é a linha entre o delírio e o desmontar da realidade até ao precipício da loucura.
É por isso que quando me quero demasiado, escuto um pouco de Heróis do Mar.
Depois escrevo no blog, deixo 3 ou 4 pessoas a pensar que bem, outras 3 ou 4 que louco, e deixo uma a pensar e isto? Essa pessoa sou eu. Hoje pergunto-me porque escrevo aqui coisas tão intimas? Será o meu ego, serão as minhas dúvidas.
Um dia pararei para ler o meu próprio blog, com uma opinião independente, um olho critico e depois decido se vocês estão bons da cabeça ou se estão piores que eu.
O meu amor próprio não sei por onde anda, mas está mais perto de considerar-se o centro de toda a existência humana, que fechado num edifício de pedra sem actividade sexual com terceiros.
Por agora não ouço vozes que aparentemente só me falam a mim, mas o facto de sentir um certo receio dessa eventualidade, pode exemplificar o quão ténue é a linha entre o delírio e o desmontar da realidade até ao precipício da loucura.
É por isso que quando me quero demasiado, escuto um pouco de Heróis do Mar.
Depois escrevo no blog, deixo 3 ou 4 pessoas a pensar que bem, outras 3 ou 4 que louco, e deixo uma a pensar e isto? Essa pessoa sou eu. Hoje pergunto-me porque escrevo aqui coisas tão intimas? Será o meu ego, serão as minhas dúvidas.
Um dia pararei para ler o meu próprio blog, com uma opinião independente, um olho critico e depois decido se vocês estão bons da cabeça ou se estão piores que eu.
Pela janela
Agora mesmo e sem razão aparente apetece-me abrir esta janela, a menos de um metro de mim, fechar ligeiramente o portátil, como se fosse um envelope, e atirá-lo lá para baixo.
Porque razão? Eu também não sei, só sei que ontem apeteceu-me escrever sobre a profissão de mendigo mas não tinha o computador à mão, e nem um bloco de notas digno desse nome, não escrevi. Hoje passou-me a onda. Entretanto para descontrair um pouco vou deixar-vos um vídeo que ilustra bem o meu estado de espírito. Estou todo destroyer hoje.
Rabbit In Your Headlights
Porque razão? Eu também não sei, só sei que ontem apeteceu-me escrever sobre a profissão de mendigo mas não tinha o computador à mão, e nem um bloco de notas digno desse nome, não escrevi. Hoje passou-me a onda. Entretanto para descontrair um pouco vou deixar-vos um vídeo que ilustra bem o meu estado de espírito. Estou todo destroyer hoje.
Rabbit In Your Headlights
sexta-feira, agosto 14, 2009
Apetece-me
Sempre que ouço esta musica tenho vontade de abrir os braços e soltar as pernas, mover a anca ao sabor da música, simplesmente apetece-me sentir Morrisey cantando Suedhead...
Já esta então tenho que sair ao jardim e "pulular" o "brincar" na relva e da relva para piscina, a verdade é que por vezes choramos.
Já esta então tenho que sair ao jardim e "pulular" o "brincar" na relva e da relva para piscina, a verdade é que por vezes choramos.
O meu sobrinho may nobo
Chama-se Gonçalo e pelo vídeo é perfeitamente visível a quantidade de tempo que os pais têm disponível para moer-lhe o juízo.
Depois queixem-se que o miúdo daqui a uns anos ande no miradouro do Adamastor de Litrosa na mão procurando reviver experiências de infância. (Ao tio passa-lhe de vez em quando).
Depois queixem-se que o miúdo daqui a uns anos ande no miradouro do Adamastor de Litrosa na mão procurando reviver experiências de infância. (Ao tio passa-lhe de vez em quando).
Tenho sono...
Entre o sono e sonho,
Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho
Corre um rio sem fim.
Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem.
Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.
E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre —
Esse rio sem fim.
Fernando Pessoa, 11.09.33
Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho
Corre um rio sem fim.
Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem.
Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.
E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre —
Esse rio sem fim.
Fernando Pessoa, 11.09.33
quarta-feira, agosto 12, 2009
Para o Filipe
My Political Views
I am a left moderate social libertarian
Left: 3.59, Libertarian: 2.88

Political Spectrum Quiz
I am a left moderate social libertarian
Left: 3.59, Libertarian: 2.88

Political Spectrum Quiz
terça-feira, agosto 11, 2009
O amor cura
Hoje o meu irmão ligou-me. Quis conversar. Entre outros temas contou-me esta pequena história.
Há uns dias quando ia ao café do bairro onde crescemos, um dos meus sobrinhos, o Bernardo pediu-lhe para fazer um pequeno desvio e visitar o nosso avô (seu bisavô).
Surpreendido por esta súbita vontade, lembrou-se ele também que tinha essa gana, ainda que inconsciente de ver a pessoa mais antiga da nossa família.
Tocaram à porta e abriu-lhe a D. Ivone a senhora que cuida do avô António (adivinhem donde vem o meu nome). Como sempre lá desabafou a D. Ivone as suas angústias, principalmente a de o ver aí tão só e tão triste.
O meu avô estava deitado no quarto, abatido, disse à D. Ivone que não se sentia bem e que não deveria levantar-se pelo menos até à hora do jantar. Infelizmente sei que este episódio ocorre com maior frequência do que seria normal para um homem de 80 e tantos anos, mas a solidão mata.
Lá se levantou o Sr. António e arrastando um pouco os pés, viu perante si duas pulgas. O Bernardo e o Gonçalo, os seus dois únicos bisnetos. Falou com eles, brincou com eles, e claro deve ter falado do Sporting com o outro doente da família (esta parte o meu irmão não me contou).
Quando saiu pela porta, e enquanto se despedia com dois beijos naquelas faces de experiência empírica, o meu irmão diagnosticou que o mal-estar do avô fazia parte do passado, resultado de uma solidão forçada pela viuvez e pela velhice, mas aqueles momentos com o seu neto e os seus bisnetos debelaram a doença parcialmente.
Chego à conclusão, que o amor cura. É um recurso inesgotável que tantas vezes salva vidas, hoje já não tenho essa possibilidade mas amanhã prometo dar amor a alguém.
Há uns dias quando ia ao café do bairro onde crescemos, um dos meus sobrinhos, o Bernardo pediu-lhe para fazer um pequeno desvio e visitar o nosso avô (seu bisavô).
Surpreendido por esta súbita vontade, lembrou-se ele também que tinha essa gana, ainda que inconsciente de ver a pessoa mais antiga da nossa família.
Tocaram à porta e abriu-lhe a D. Ivone a senhora que cuida do avô António (adivinhem donde vem o meu nome). Como sempre lá desabafou a D. Ivone as suas angústias, principalmente a de o ver aí tão só e tão triste.
O meu avô estava deitado no quarto, abatido, disse à D. Ivone que não se sentia bem e que não deveria levantar-se pelo menos até à hora do jantar. Infelizmente sei que este episódio ocorre com maior frequência do que seria normal para um homem de 80 e tantos anos, mas a solidão mata.
Lá se levantou o Sr. António e arrastando um pouco os pés, viu perante si duas pulgas. O Bernardo e o Gonçalo, os seus dois únicos bisnetos. Falou com eles, brincou com eles, e claro deve ter falado do Sporting com o outro doente da família (esta parte o meu irmão não me contou).
Quando saiu pela porta, e enquanto se despedia com dois beijos naquelas faces de experiência empírica, o meu irmão diagnosticou que o mal-estar do avô fazia parte do passado, resultado de uma solidão forçada pela viuvez e pela velhice, mas aqueles momentos com o seu neto e os seus bisnetos debelaram a doença parcialmente.
Chego à conclusão, que o amor cura. É um recurso inesgotável que tantas vezes salva vidas, hoje já não tenho essa possibilidade mas amanhã prometo dar amor a alguém.
Hoje alegrei a noite a duas pessoas
Devo confessar que me sinto bastante dividido. Tenho que tomar uma decisão até ao final deste mês, e quanto mais se aproxima mais difícil se converte a questão.
Esta noite, movido por uma vontade enorme de usar o meu humor favorito, o negro (creio que aqui as raízes africanas da minha família podem ter uma certa influência), decidi imprimir um ritmo muito forte, qual Alberto Contador no Tour. Hoje ninguém me parava (soa mal, e tudo porque ninguém pára o Benfica e todos os anos é o glorigozo que nos dá).
Entre provocações mais fortes, minimização de carácter e existência, a sensação do dever cumprido trouxe uma outra necessidade. Necessitava ajudar alguém que necessitasse de um click.
Encontrei a Lúcia, uma amiga de uma amiga que andou por Portugal e agora vive no meu bairro. A Lúcia entre conversas sobre esta ou aquela coisa mundana levou-me sem querer até ao canto do ringue e falámos de música.
Eu passei-lhe primeiro isto
e disse-lhe "tenho 80% de certeza que te vai gostar esta música, não porque é bonita, mas porque este é o momento que te apeteceria ouvir-la".
E ela confirmou. A música serviu o seu propósito. A partir desta canção, a Lúcia que até aqui nunca tinha sido demasiado "acercada a mi", abriu a mão e apesar de provavelmente ser das poucas pessoas que aqui fala o nosso português, pela primeira vez conversámos.
A prosa desenvolveu-se, contou-me coisas que só podes contar a alguém que não te conhece, os medos, as dúvidas, as diferenças, a dor de crescer sem querer.
Foi interessante, até que a meio da conversa lhe sugeri outra musica.
e em seguida, copiei-lhe esta passagem da música.
How does it feel
How does it feel
To be on your own
With no direction home
Like a complete unknown
Like a rolling stone?
"É exactamente como me sinto" disse ela. Eu não lhe quis responder que é exactamente assim que vivo desde há um tempo largo. Não quis, porque este era o seu momento. Alguém já me tinha ajudado a mim, noutro momento, ou talvez não, mas este momento foi o momento que eu um dia quis passar por. Alguém que me entendera naquela linha tão fina entre a aventura e o sofrimento, alguém que não me dissera "deixa isto" ou "faz aquilo", apenas e só alguém que me deixasse claro que não estava só, que esse alguém também não tinha uma direcção para chegar a casa.
Depois disto falámos claro da minha obsessão, que coincidência das coincidências é sua também, True Blood. A meio desta conversa chegou-me uma mensagem de uma amiga.
Alguém que me faz muito feliz, mas pelos vistos não anda muito feliz. Falámos, li-lhe umas quantas passagens da minha primeira fase da tarde/noite. De repente aquela voz tristonha deu lugar a umas gargalhadas, contagiantes por certo. O que por norma seria uma conversa de 4 mins, transformou-se em meia hora ou mais. Acabei por lhe confessar, "adoro escutar a tua voz embriagada num riso estridente e alargado, faz-me bem". Ela agradeceu-me as palavras e atirou-me a responsabilidade por tal qualidade para cima dos ombros. "Fazes-me muita falta aqui" disse ela, eu respondi "faço falta a muita gente em muitos sítios, mas todos os sitios e toda essa gente faz-me falta a mim em todo o lado para onde vou".
Hoje alegrei a noite a duas pessoas, pensei quando escrevi o titulo deste post, mas ao tocar a terra com as mãos, percebi que afinal devo ser melhor com letras do que com a matemática, porque somos 3.
Esta noite, movido por uma vontade enorme de usar o meu humor favorito, o negro (creio que aqui as raízes africanas da minha família podem ter uma certa influência), decidi imprimir um ritmo muito forte, qual Alberto Contador no Tour. Hoje ninguém me parava (soa mal, e tudo porque ninguém pára o Benfica e todos os anos é o glorigozo que nos dá).
Entre provocações mais fortes, minimização de carácter e existência, a sensação do dever cumprido trouxe uma outra necessidade. Necessitava ajudar alguém que necessitasse de um click.
Encontrei a Lúcia, uma amiga de uma amiga que andou por Portugal e agora vive no meu bairro. A Lúcia entre conversas sobre esta ou aquela coisa mundana levou-me sem querer até ao canto do ringue e falámos de música.
Eu passei-lhe primeiro isto
e disse-lhe "tenho 80% de certeza que te vai gostar esta música, não porque é bonita, mas porque este é o momento que te apeteceria ouvir-la".
E ela confirmou. A música serviu o seu propósito. A partir desta canção, a Lúcia que até aqui nunca tinha sido demasiado "acercada a mi", abriu a mão e apesar de provavelmente ser das poucas pessoas que aqui fala o nosso português, pela primeira vez conversámos.
A prosa desenvolveu-se, contou-me coisas que só podes contar a alguém que não te conhece, os medos, as dúvidas, as diferenças, a dor de crescer sem querer.
Foi interessante, até que a meio da conversa lhe sugeri outra musica.
e em seguida, copiei-lhe esta passagem da música.
How does it feel
How does it feel
To be on your own
With no direction home
Like a complete unknown
Like a rolling stone?
"É exactamente como me sinto" disse ela. Eu não lhe quis responder que é exactamente assim que vivo desde há um tempo largo. Não quis, porque este era o seu momento. Alguém já me tinha ajudado a mim, noutro momento, ou talvez não, mas este momento foi o momento que eu um dia quis passar por. Alguém que me entendera naquela linha tão fina entre a aventura e o sofrimento, alguém que não me dissera "deixa isto" ou "faz aquilo", apenas e só alguém que me deixasse claro que não estava só, que esse alguém também não tinha uma direcção para chegar a casa.
Depois disto falámos claro da minha obsessão, que coincidência das coincidências é sua também, True Blood. A meio desta conversa chegou-me uma mensagem de uma amiga.
Alguém que me faz muito feliz, mas pelos vistos não anda muito feliz. Falámos, li-lhe umas quantas passagens da minha primeira fase da tarde/noite. De repente aquela voz tristonha deu lugar a umas gargalhadas, contagiantes por certo. O que por norma seria uma conversa de 4 mins, transformou-se em meia hora ou mais. Acabei por lhe confessar, "adoro escutar a tua voz embriagada num riso estridente e alargado, faz-me bem". Ela agradeceu-me as palavras e atirou-me a responsabilidade por tal qualidade para cima dos ombros. "Fazes-me muita falta aqui" disse ela, eu respondi "faço falta a muita gente em muitos sítios, mas todos os sitios e toda essa gente faz-me falta a mim em todo o lado para onde vou".
Hoje alegrei a noite a duas pessoas, pensei quando escrevi o titulo deste post, mas ao tocar a terra com as mãos, percebi que afinal devo ser melhor com letras do que com a matemática, porque somos 3.
Ir pela rua...
Apesar de ser verão, aqui onde estou chove. O céu está cinzento e o sol hoje não espreitou entre as nuvens.
Aproveitei para sair e passear, escapar-me agora que ar-condicionado não é uma obrigação e dar corda aos sapatos. Caminhava só, num final de tarde. Passava porta a porta, e quase que a um ritmo de dominó as portadas de ferro de cada estabelecimento fechavam para só voltar a abrir amanhã.
Coloquei delicadamente os auscultadores nos meus ouvidos, e na ponta oposta do cabo com o polegar penetrei o meu telemóvel, três toques em botões muito designer e esta música ecoa na minha cabeça.
De repente, quase que instantaneamente reparo nesta loja. A única da avenida que não tem a cortina de ferro amarrada ao solo. É uma loja de tvs. E aí fiquei parado a observar. 3 mins em que não me pude mover. Estático perante tal paisagem, sem uma reacção, a imagem era-me tão familiar e não sabia eu como.

Ao final dos 3 mins e meio que durava a musica, alguém saiu da loja. Olhou-me com uma expressão estranha, e levantou o braço, finalmente puxou a cortina de ferro, pregou-a ao chão com uma fechadura suja de massa lubrificante. Por fim, podia continuar a minha caminhada de final de dia...
Aproveitei para sair e passear, escapar-me agora que ar-condicionado não é uma obrigação e dar corda aos sapatos. Caminhava só, num final de tarde. Passava porta a porta, e quase que a um ritmo de dominó as portadas de ferro de cada estabelecimento fechavam para só voltar a abrir amanhã.
Coloquei delicadamente os auscultadores nos meus ouvidos, e na ponta oposta do cabo com o polegar penetrei o meu telemóvel, três toques em botões muito designer e esta música ecoa na minha cabeça.
De repente, quase que instantaneamente reparo nesta loja. A única da avenida que não tem a cortina de ferro amarrada ao solo. É uma loja de tvs. E aí fiquei parado a observar. 3 mins em que não me pude mover. Estático perante tal paisagem, sem uma reacção, a imagem era-me tão familiar e não sabia eu como.

Ao final dos 3 mins e meio que durava a musica, alguém saiu da loja. Olhou-me com uma expressão estranha, e levantou o braço, finalmente puxou a cortina de ferro, pregou-a ao chão com uma fechadura suja de massa lubrificante. Por fim, podia continuar a minha caminhada de final de dia...
segunda-feira, agosto 10, 2009
sábado, agosto 08, 2009
1 Semana em Madrid
Hoje vou almoçar...
Umas ervilhas estofadas com ovos escalfados...
Entrou-me essa ganância de comer algo dos bons velhos tempos, de quando a mamã cozinhava para mim. Desta vez sou eu e uma coisa posso estar completamente seguro, os dela são melhores.
Aqui vai a receita, se alguém quiser.
E esta semana ainda vou fazer umas ervilhas à francesa, que são de morte.
Aqui está também a receita.
E esta é uma imagem das ervilhas à francesa.
Entrou-me essa ganância de comer algo dos bons velhos tempos, de quando a mamã cozinhava para mim. Desta vez sou eu e uma coisa posso estar completamente seguro, os dela são melhores.
Aqui vai a receita, se alguém quiser.
E esta semana ainda vou fazer umas ervilhas à francesa, que são de morte.
Aqui está também a receita.
terça-feira, agosto 04, 2009
Arnaldo Jabor
"O amor sonha com a pureza. Sexo precisa do pecado. Amor é o sonho dos solteiros. Sexo, o sonho dos casados. Sexo precisa da novidade, da surpresa. “O grande amor só se sente no ciúme” (Proust). O grande sexo sente-se como uma tomada de poder. Amor é de direita. Sexo, de esquerda."
Não sou grande fã do escritor brasileiro, mas apeteceu-me voltar a ler "Amor é prosa sexo é poesia".
ISBN 8573026448
Talvez esta repentina motivação se possa relacionar com uma história com 2 anos, que teima em escrever-se ora em prosa, ora em poesia.
segunda-feira, agosto 03, 2009
O que há em mim é sobretudo cansaço
O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...
Álvaro de Campos
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...
Álvaro de Campos
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