O que observei pode não ter sido uma completa surpresa, mas o que me surpeende é a capacidade de memória do ser humano.
A memória consegue não só proteger-nos de tudo. Ela tanto nos protege num presente relembrando-nos o passado, como o oculta para que possamos viver melhor.
Nunca me tinha apercebido da ocultação da minha memória até há pouco tempo. Quando assiste-se a uma repetição de episódios que pensavamos estarem esquecidos, eis que se renova a memória e tudo volta a ser límpido e claro.
Não sou uma pessoa rancorosa, deve ser das poucas características que posso afimar sem receio que tenho. Nem sempre é positivo não ser-se rancoroso. Mas por não ser rancoroso não significa que deixe tudo para trás. Aliás eu posso desculpar e posso até esquecer mas não sou burro tantas vezes quanto alguns provavelmente gostariam.
Os actos ficam com os pratica já me dizia o meu pai há muitos anos, quando eu me portava mal, pois bem isso é de todo verdade. Quando minto, sou mentiroso, quando roubo sou ladrão, quando excluo alguém sou marginalizador, quando não tenho personalidade não valho um caralho.
Pois bem, mas as surpresas nem sempre são negativas. Há sempre um lado muito bom da história, mesmo que esta tenha sido negra, e o lado bom apareceu de três frentes. Uma foi a confirmação de uma das pessoas mais espectaculares que conheci até hoje, a outra mostrou-me um lado mais humano de uma amizade dando-me a conhecer luzes brilhantes que antes não conseguia vislumbrar( e se já gostamos de alguém pelo pouco que lhe conhecemos, ficamos ainda mais ligados quando rasgamos o papel embrulho e o que está lá por dentro é aquilo que esperávamos), a terceira foi uma vez mais a capacidade que tenho para minimizar os problemas que me aparecem principalmente os que me são infligidos.
Bom mas se dúvidas existissem quanto à amizade, esta foi por excelência a prova final. Pela terceira vez na vida uma ocasião como esta marcou-me pelo teste em que se transforma. Ainda bem que assim foi, mais vale tarde que nunca.

O bom amigo
Foto by Saci
1 comentário:
como sempre, e porque este é um espaço onde tu ditas as regras, pareceu-me q ficaram aqui mensagens subliminares, só perceptiveis por quem de facto vive as situações. senti q desta vez deixaste uma para mim. nao sei qual delas foi, mas presumo que nao tenha sido a mais favoravel...
pois bem...
na eminência das nossas vidas se afastarem e do momento adequado nunca mais surgir, aproveito a oportunidade para aqui deixar o que devia ter dito e que, por razões q nem sempre me parecem óbvias e plausíveis, nunca disse.
tu és uma das pessoas que marcou o meu percurso nesta fase da vida; em bons e maus momentos. em todos os aspectos. admiro a tua força, o teu humor, a tua lealdade, o teu sentido crítico. acho que por termos ambos uma personalidade vincada, vezes houve em que senti dificuldade em transpôr o abismo que julgo que nos separa. ainda a sinto.
perco por ser estouvada e ter a mania que sou detentora da verdade universal. por isto, peço sinceramente perdão.
nunca me arrependo do que faço: tudo contribui para o ser humano que sou; no teu caso, lamento q não tenha sido diferente.
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