terça-feira, janeiro 17, 2006

Depois de um edredon e uma almofada...

Depois da operação ultra-secreta para a obtenção de um edredon e uma almofada, hoje é a operação ultra-secreta bicicleta nova.

Bom tenho escrito aqui muito pouco sobre a vida em Breda, e de facto isso faz sentido porque neste momento tenho-me entregue em grande parte ao estudo e à execução da tese. Eu sei que muita gente pensa que fazer Erasmus é só diversão e luxúria, mas isso é porque a maioria nunca o fez.

Estou muito entusiasmado com a minha tese, e espero que esta seja concretizada com sucesso. Não vou fazer batotas nem minimizar o esforço. As teses que são bem feitas, e com bons temas são mais uma arma para a luta nessa arena sem lei nem ordem, que é o mercado de emprego.

Bom mas depois das filosofias, venham as histórias que só mesmo em Erasmus são aceitáveis. Como alguns já sabem mudei de quarto, já não vivo mais na Nieuwe Dieststrass (porque agora aprendi a escrever correctamente) e vivo bem juntinho à minha universidade em Sint Ignatiusstrass.
Ora bem, eu mudei de quarto mas não tinha chave de casa, e como seria de esperar fiquei com o número de contacto da rapariga a quem aluguei o mesmo.

A chegada a Schipol foi normal, as minha malas lá vieram em tempo útil, sem mossa nem queimadura. O pior começou quando mudei de transporte. Sou induzido em erro pela senhora da bilheteira da NS (companhia de comboios holandesa), e meto-me num comboio para Den Hague, no qual deveria trocar em Utrecht. O problema é que esse comboio nunca chega a Utrecht e muito menos a Breda. É com alguma surpresa que estou parado em Leiden e vejo na tabuleta da spoor (plataforma em holandês) do lado a palavra mágica "BREDA". Levanto-me com as minhas 4 malas, mais portátil, casacos, chapeu, cachecol e vou aos trambulhões lá para fora.

Operação sair do comboio concretizada com sucesso... três passos em direcção ao comboio para Breda e... lá vai ele. Faltavam apenas uns 5 passos para o alcançar, sorte de cão.

Vou à bilheteira e pergunto qual o próximo comboio para Breda, e sou informado que passa um daqui a 20 mins mas é um pára-em-todas. Apanho o comboio então para Den Hague onde me espera um intercidades dentro de meia hora.

Chego a Breda lixado da vida, e vou apanhar um Train taxi. O único que se encontra por lá já tem 4 manfias lá dentro e vai para a outra parte da cidade. E lá foi com a promessa que um colega me irá apanhar dentro de momentos.

Momentos que se transformaram em minutos, muitos minutos, quase 50 minutos, e para os mais distraídos aqui às 21:30 da noite faz a módica temperatura de 2 a 3 graus Celsius, e o tuga cá fora.

O taxista lá voltou, o mesmo e não o colega, tirou o casaco e fez-se passar por outro o que até teve a sua piada. Deixou-me à porta da minha nova casa. E eu feliz e contente, finalmente um banhinho e depois até posso dormir o que me faltou dormir no dia anterior.

Toco à campaínha uma vez, duas, três até tocar como um desesperado. Ninguém estava em casa. Já não tenho dinheiro no telemóvel holandês e começo a apalpar os bolsos à procura da carteira. Felizmente há aqui uma cabine ao lado de casa que aceita moedas, agora é só ligar ao Jesse ou à Lisa pra ver se me podem apanhar.
"Onde é que está a merda da carteira?" primeiro pensamento após a segunda revista a bolsos.
"Foda-se queres ver que perdi a carteira, não acredito nisto pá!" segundo pensamento após a terceira revista aos bolsos, e uma revista à mochila.
"Deixei no táxi quando lhe dei o bilhete de train taxi. O gajo não me pode roubar depois da seca que me deu" terceiro pensamento após a segunda revista à mochila juntamente com a aceitação que para ter tal desempenho só posso ser um perfeito anormal.

Por último e já com vontade de destruir a cabine telefónica, recordo-me que ainda nao revistei a mala do portátil, a esperança renasce e a carteira em pele dada pelo meu pai quando tinha uns 19 anos aparece, cheia de notas e moedinhas para telefonar.

Ligo ao Jesse e o belga ordinário está todo bebâdo numa festa aqui ao lado na faculdade, ok esquece obrigado de qualquer forma.
Ligo à Lisa a minha ex-companheira de apartamento e uma vez mais é esta alemã com um coração enorme quem me salva. Danke meine freundin.

Vou até casa dela, deixo as malas e o portátil , pego na minha bicicleta e vou para casa dos espanhois, é lá que passo a minha primeira noite de 2006 em Breda.

No dia seguinte deparo-me com o problema de ter chaves de casa mas faltar-me um edredon e uma almofada. Uma vez mais a casa dos espanhois é o cenário perfeito para usurpar por uns tempos tais itens de primeira necessidade em terras holandesas.

Pego num saco dos grandes do Jumbo (o holandês, não tem nada de Jerónimo Martins), saco rapidamente a almofada e o edredon que eram da Jenny (sinto a falta da minha amiguinha de Madrid, com um sorrisão arrasador).

Hoje é a parte dois de uma aventura erásmica, a minha bicicleta ficou gravemente "ferida" após um jogo de copofonia que se deu por aqui. Entrou por uma montra segundo alguns testemunhos, eu não me lembro, mas que a bicicleta passou da classe "muita boa" para a classe "tens de arranjar outra", é a mais pura das verdades. Para terem uma noção, o descanso está preso com arames daqueles para fechar os sacos de pão-de-forma.

Bom hoje vou a casa do Ton Snök, um homem com os seus 65 anos, holandês tarado por raparigas novas (ou conhecedor das suas qualidades), muita amigável e vejam lá tem uma casa no Murtal aí bem ao lado do Zambujas.

O Ton alugava a casa a dois amigos «madrileños»,o Raúl e a Rebeca. O Raul tinha uma bicicleta e a Rebeca tinha um chasso, um dia gamei uma com a ajuda do Raúl para a Rebeca, mas nunca ninguém conseguiu partir o cadeado.

É aqui que começa a história de hoje, vou a casa do Ton Snök, levo-lhe duas postas de bacalhau português e saco a bicicleta, tento partir o cadeado e vamos ver se tenho sucesso, torçam por mim rapaziada, é mais uma aventura neste sonho de Erasmus.

2 comentários:

Aelius disse...

Tou a ver k foi um dia "louco louco louco".
E a câmara?

Nuno disse...

Ai que aldrabão que tu és!!!!

Eh eh eh eh

Cá se fazem ...Cá se pagam.

Um grande abraço menino