Depois de Ramón Sampedro, eis que mais um espanhol se torna um mártir pela causa da eutanásia.
Jorge Léon Escudero era enfermeiro, escultor e um amante do desporto. Há cerca de seis anos ficou pentaplégico quando partiu o pescoço durante uma brincadeira de ginástica com a sua sobrinha.
Dependente de uma máquina para respirar e com uma independência limitada ao máximo Jorge Escudero viu a sua saúde agravar-se nos ultimos tempos, com multiplas infecções e a normal adaptação aos antibióticos, o espanhol desesperou com a possibilidade de ter uma morte pouco digna.
Lutou ao longo destes anos pelo direito à Eutanásia, escreveu um artigo para um jornal espanhol El País a 16 de Janeiro de 2005, e lançou um apelo no seu blog.
Precisava de uma "mano amiga" que o ajudasse a "morir dignamente", e a mão amiga surgiu do anonimato, possivelmente devido ao apelo que expôs no seu site na internet.
"Tengo todo preparado para que quien me asista quede incógnito".
A lei espanhola prevê uma pena de dois a dez anos de prisão a quem auxilie terceiros a morrer, está lançado mais uma vez o debate no país vizinho sobre uma das mais importantes bases da nossa sociedade, a dignidade humana.
Se pensarmos que os espanhois estão muito à nossa frente e possivelmente em 2008 poderão mesmo alcançar o nível de vida dos alemães, nada é por acaso. Possivelmente no país vizinho pensa-se e debatem-se os problemas. Em Portugal ainda discutimos se preferimos o aborto de vão de escada ao controlo de um flagelo social com melhorias claras das condições que as mulheres a que ele se sujeitam teriam, caso fosse efectuado legalmente em hospitais públicos ou clinicas privadas.
"Pero médicos y legisladores han de aceptar que la capacidad de una voluntad libre, consciente y respetuosa socialmente de cada uno de nosotros a disponer sobre nuestra propia muerte ha de llegar a ser un derecho tan fundamental como el derecho a vivir nuestra propia vida."
Nem tudo está perdido e eu não defendo a eutanásia, eu defendo a dignidade humana e a liberdade de escolha de cada um dispor da sua vida, desde que esteja dentro das suas totais capacidades fisicas e mentais. Porém este não é o caminho de todos...
Se até Adão escolheu deixar o paraíso porque é que os seus descendentes, segundo a igreja católica não podem escolher saír do inferno de uma vida de sofrimento e frustração com a inevitabilidade de uma morte sem dignidade?
1 comentário:
acho que a igreja acha que devemos aceitar os desígnios de Deus e aprender com uma vida de sofrimento... que quanto mais sofremos mais belos e santos nos tornamos... tretas...
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