terça-feira, maio 09, 2006

Os mártires de causas justas

Morreu Jorge León Escudero. Foi no passado dia 4 de Maio que Jorge Escudero também ele um bloguista foi encontrado morto em sua casa.

Depois de Ramón Sampedro, eis que mais um espanhol se torna um mártir pela causa da eutanásia.

Jorge Léon Escudero era enfermeiro, escultor e um amante do desporto. Há cerca de seis anos ficou pentaplégico quando partiu o pescoço durante uma brincadeira de ginástica com a sua sobrinha.

Dependente de uma máquina para respirar e com uma independência limitada ao máximo Jorge Escudero viu a sua saúde agravar-se nos ultimos tempos, com multiplas infecções e a normal adaptação aos antibióticos, o espanhol desesperou com a possibilidade de ter uma morte pouco digna.

Lutou ao longo destes anos pelo direito à Eutanásia, escreveu um artigo para um jornal espanhol El País a 16 de Janeiro de 2005, e lançou um apelo no seu blog.

Precisava de uma "mano amiga" que o ajudasse a "morir dignamente", e a mão amiga surgiu do anonimato, possivelmente devido ao apelo que expôs no seu site na internet.

"Tengo todo preparado para que quien me asista quede incógnito".

A lei espanhola prevê uma pena de dois a dez anos de prisão a quem auxilie terceiros a morrer, está lançado mais uma vez o debate no país vizinho sobre uma das mais importantes bases da nossa sociedade, a dignidade humana.

Se pensarmos que os espanhois estão muito à nossa frente e possivelmente em 2008 poderão mesmo alcançar o nível de vida dos alemães, nada é por acaso. Possivelmente no país vizinho pensa-se e debatem-se os problemas. Em Portugal ainda discutimos se preferimos o aborto de vão de escada ao controlo de um flagelo social com melhorias claras das condições que as mulheres a que ele se sujeitam teriam, caso fosse efectuado legalmente em hospitais públicos ou clinicas privadas.

"Pero médicos y legisladores han de aceptar que la capacidad de una voluntad libre, consciente y respetuosa socialmente de cada uno de nosotros a disponer sobre nuestra propia muerte ha de llegar a ser un derecho tan fundamental como el derecho a vivir nuestra propia vida."

Nem tudo está perdido e eu não defendo a eutanásia, eu defendo a dignidade humana e a liberdade de escolha de cada um dispor da sua vida, desde que esteja dentro das suas totais capacidades fisicas e mentais. Porém este não é o caminho de todos...


Se até Adão escolheu deixar o paraíso porque é que os seus descendentes, segundo a igreja católica não podem escolher saír do inferno de uma vida de sofrimento e frustração com a inevitabilidade de uma morte sem dignidade?

1 comentário:

Anónimo disse...

acho que a igreja acha que devemos aceitar os desígnios de Deus e aprender com uma vida de sofrimento... que quanto mais sofremos mais belos e santos nos tornamos... tretas...